Empreender é algo que pode ser alimentado no berço

O fato de ter nascido em uma família de comerciantes faz com que as pessoas acreditem que tenha sido mais fácil para mim empreender. Na verdade essa foi uma das muitas barreiras! Desde muito cedo via meu Pai, empresário, bem-sucedido, com mais de 10 anos no comércio de ótica, preparando as etiquetas para colocar nas armações com um código secreto "VENDA MUITO". E falei: "- Posso fazer uma etiqueta?..." Surpreso, meu Pai se sentiu desafiado e me entregou o rolinho de etiquetas, uma nota fiscal e canetas. És que em poucos minutos, para orgulho do meu Velho, lá estava a etiqueta Pronta! Nada demais, para um garoto de 6 anos de idade.

V E   N   D  A   M  U   I    P  O
1  2   3   4   5    6   7   8   9   0

Primeiro calculamos o preço das armações colocando a margem de lucro, em seguida convertíamos o valor em código. Dessa forma ninguém, além dos óticos, saberiam os preços das armações. Você deve  está pensando que existia ilegalidade, mas era apenas uma forma de se proteger da inflação e concorrentes. E lembro, estamos falando de 1980, naquele momento não existia ainda o Código de Defesa do Consumidor. Chamo atenção, com muito orgulho, até que me provem ao contrário, meu Pai foi exemplo de cidadão, pessoa e honestidade.

 

Mesmo com todas essas virtudes, tive muitos problemas com Ele que não gostava que fizesse educação física na escola por considerar que seria perda de tempo. Por outro lado, agradeço por ter passado muito tempo, recordo que aos 10 anos já tinha certas obrigações na ótica da família, saindo da escola direto para empresa para que o meu velho pudesse ir almoçar enquanto dava suporte com funcionários ou tempos depois com minha mãe.

 

Inquieto, percebi as mudanças do mundo e insisti com meu Pai para colocar recebimento com cartões de crédito na empresa. Perceba do que estamos falando, mercado tradicional anos 1990, onde o cartão mais forte na região era o HIPERCARD e o Cartão do Banco do Brasil (nem sonhava em se chamar Ourocard), e o pagamento em dinheiro (espécie) ou fichas promissórias eram as formas mais comuns de crédito, onde cheques eram mal vistos e se recebia assumindo um riscou ou mediante conhecimento prévio da reputação do cliente. O Velho cedeu, mais os resultados não corresponderam as expectativas, estavam apenas no início, receoso Ele pediu para cancelar. Anos mais tarde, voltou a operar apenas com o Hipercard.

 

Nesse período, mais seguro, comecei a sonhar como seria a ótica com mudanças visuais. Mais de 10 anos e nenhuma mudança! Isso me incomodava, tomei coragem e fui falar com o meu Velho... "-Pai quero informatizar a empresa, reformar e colocar novas ideias em prática". 

 

Você pode até falar que certo é o "Não", mas está preparado para ele

Meu céu caiu com um sonoro e inquisitivo "- NÃO"!

O pior é que Ele sabia dá um "não", seco e sem comentários. Por mais que existisse um motivo oculto, a forma de como o "não" me chegava consumindo a alma de dentro para fora. Aguardava mais alguns instante e... nada de justificativa. Se tratava apenas do poder predominante à época, onde o pai manda e a família obedecia.

 

Mas, quem disse que sou vara verde, fácil de dobrar. Chamei para uma conversa e me impus.

- Ou o senhor me dá certa autonomia para mudar ou vou mudar meu foco.  

Acredito que Ele não tinha noção da repercussão da sua resposta na minha vida e falou novamente...

- NÃO!

Daí comecei a mudar o foco

O "Não", é uma barreira que pode ser superada

Pai quero entrar para o Movimento Escoteiro... -Não!

Falei com a Chefe do Grupo e ela fez uma visita para Ele, saindo com a autorização.

 

Pai quero escalar... -Não!

Um dos chefes do Movimento Escoteiro que meu Pai mantinha bom relacionamento, também escalador e conversou com Ele. Nunca mais parei de escalar!

 

Pai quero montar uma Agência de Publicidade... -Não!

Vou dividir a empresa com dois outros Sócios e cada um ficou responsável por uma parte da agência e vou usar o seu prédio... quanto é o aluguel?! Use a loja na parte da frente do prédio.

 

Pai vou sair da Universidade pública e vou para privada... -Não!

Nesse momento já acreditava em mim, nas pessoas que queriam me ajudar, além dele e terminei o curso de turismo na particular.

 

Mesmo me olhando diferente... Quase sempre precisava dele, ainda que para ser desafiado com o seu temido "-Não". Por volta de 2002 comecei a fazer consultoria em outras cidades e precisava de capital de giro. Agora mais maduro e confiante, diante de uma situação promissora recorri a o Velho. Pai pode me emprestar o valor de capital de giro para o início das consultorias? Sabe o que Ele respondeu: -NÃO! 

 

Recorri ao Tio de visão que me fez algumas perguntas:

- Esse trabalho vai lhe ajudar a crescer?

- Você tem certeza que poderá me pagar?

- Você sabe quando poderá me pagar?

Responsabilidade posta, respostas claras e dinheiro na conta. Meu Tio, irmão do meu Pai, foi na verdade o meu segundo investidor. Reconheço que meu Pai me deu todas as condições para meu crescimento pessoal. Contudo, foi o meu Tio o primeiro investidor que me deu o tão amado SIM!

 

O jogo da minha vida

Sempre defino essa história como um jogo de futebol onde meu núcleo familiar (Pai, Mãe e irmão) estão na arquibancada torcendo por cada uma das minhas conquistas. Mas, quando a questão foi empreender, meu Tio Tomas sem dúvidas estava em campo tocando a bola, esperando para receber o passe e deixava sempre o "livre arbítrio" tomar conta de mim, se fizesse o gol seria mais um ponto na carreira e se perdesse o gol, mais um fracasso que deveria ser visto como aprendizado.

 

O desequilíbrio do "Não" gera pressão

Conclusão, moral da história. Fui forjados em desafios e NÃOs. Talvez meu Pai não tenha sido muito feliz ao desequilibrar os "Sim" e dados muitos "Não" na  minha vida. Mas, sem saber ele me desafiou e me fez um filho diferente dos outros dois irmãos. Somado aos ensinamentos do meu Tio, ambos estavam carregados de honestidade, caráter, bondade e trabalho, muito trabalho. E mesmo tendo morrido aos 60 anos, muito cedo mesmo. Tive oportunidade de desafiá-lo a tomar banho de cachoeira que ele falava ter muita vontade de fazer... Dá para adivinhar a resposta?! "-NÃO"! ou ainda, já sabendo dá resposta poder brincar com a situação...

 

Pai, estou querendo comprar uma moto para mim, você acha que dá certo? -NÃO!

- Concordo, comprei um jet-sky!

- É outra porcaria meu filho.

 

E hoje lamento, não ter mais o Velho aqui para discordar dos meus projetos e compartilhar da fumaça do sucesso. Certo que respeito aos clientes, funcionários e empresa, são tão importantes quanto a responsabilidade com a família, com pessoas que deseja ajudar e investidores. Tive a oportunidade de saber que meu Pai tem orgulho de mim e que em memória aos seus valores repassados a mim desejo fazer por sua empresa.

 

Hoje, sem meu Pai e meu Tio, tento ser exemplo para minha família, amigos e clientes. Hoje, tenho a grata responsabilidade de ser mentor (consultor) de empresas, compartilhando experiências e fracassos, tirando de cada um uma lição. Tentando influenciar a vida dos que a mim recorrem. Reproduzindo ensinamentos de "Sim" e "Não", buscando fazer sempre de forma justificada. E, como faço todos os dias, peço a DEUS que me capacite para ser responsável por muitas vidas!

 

Mavip Registro de Marcas é um projeto para alcançar vidas por meio da Propriedade Industrial. Assim, quando você registrar a marca pela Mavip fique certo que estará ajudando direta e indiretamente muitas pessoas. Demonstramos esse potencial com a pesquisa gratuita de viabilidade de uma marca, ampliamos com o Mavip Registro Solidário e queremos está junto com você no seu projeto também.

 

Por Vinicius Travassos

Credibilidade!

Os produtos recebem o selo de qualidade da Mavip Registro de Marcas, uma empresa acelerada pelo programa Inovativa Brasil do MDIC, programa Like a Boss do SEBRAEBizSpark da Miscrosoft, e outros parceiros como: